Kabiru Suleman
Hoje fizemos uma entrevista com um nigeriano por quem temos muito apreço. Kabiru trabalha no estoque e o conheci quando fui fazer um inventário no ano passado e ele me ajudou. Considero-lhe um excelente trabalhador que, apesar das limitações com computador e para fazer contas, é extremamente esforçado e obediente. Sempre quer aprender e é super pró ativo. Por isso, e por outras qualidades, eu o promovi de trabalhador nível 3 (existem 12 níveis, sendo o 12 o mais alto) para supervisor.
André
A: Qual é o seu nome completo?
K: Kabiru Suleman.
A: Quantos anos você tem?
K: 31 anos.
A: Quantos filhos você tem?
K: 2 filhos e 2 filhas.
A: Há quanto tempo você trabalha na empresa?
K: 2 anos e meio como empregado e 1 ano como contratista.
A: Quantas vezes você foi promovido?
K: Fiquei 1 ano como contratista e depois fui contrato nível 3. Apesar de fazer um bom trabalho, fiquei 2 anos e meio sem promoção. No mês passado, comecei a ganhar um bônus por ser supervisor de projeto, porém ainda espero a promoção que, segundo meu chefe, deve vir no fim do ano.
A: A que horas você acorda todos os dias?
K: Acordo às 4:30h da manhã. O ônibus passa na minha casa às 5:45h e antes disso devo rezar com toda a minha família. Trabalho até às 7h da noite e chego em casa às 8h. Faço isso de segunda a sábado e domingo é meu dia de folga.
A: Qual é sua religião?
K: Islã – Muçulmano
A: Quantas vezes você reza por dia?
K: 5 vezes ao dia.
A: Como é seu relacionamento com os cristãos?
K: Eles são maioria no nosso estado. Temos uma relação amigável e de compreensão. Os problemas de religião ocorrem no norte do país onde existe muito mal entendido e falta de compreensão entre as duas partes.
A: Qual é o seu salário?
K: Eu ganho 45.000 Nairas por mês (são R$ 900).
A: Quanto você gasta de comida com sua família por mês?
K: Entre 30 e 35 mil por mês. Eu ainda alugo a casa e pago escola para meus filhos. Mesmo com o salário da minha mulher, sempre temos que pegar dinheiro no banco para pagar as despesas (pagam 20% por mês de juros).
A: Por que seus filhos estudam em colégio particular ao invés de estudarem no público?
K: A coisa mais importante pra mim é dar uma boa educação aos meus filhos. No colégio particular, as professoras são mais sérias e compreensíveis. Há também a possibilidade de eles estudarem em num colégio islâmico. Quero que meus filhos estudem tanto a cultura do Leste como do Islã, para que saibam definir as coisas boas e ruins da vida. Gasto 27.000 Nairas por filho por ano de colégio.
A: O que a sua mulher faz durante o dia?
K: De manhã ela cuida dos filhos e à tarde trabalha em uma loja.
A: Quem é o chefe da família?
K: Eu sou o chefe da família e sou quem tomo todas as decisões da casa mas é claro que minha mulher pode dar sua opinião, porém sou eu quem sempre tomo as decisões.
A: Você nasceu em Port Harcourt?
K: Não. Minha família é de Edo, que fica a 4 horas de PH. Antes de eu entrar nessa empresa ia lá a cada 3 meses. Agora vou uma vez por ano visitá-los.
A: O que você pensa sobre os brasileiros?
K: Pelo pouco de brasileiros que conheço (André , Frederico e Bethania) eles são o tipo de pessoa que eu quero ter perto de mim pra sempre e com quem eu gosto muito de trabalhar. São pessoas que sabem nos liderar, ensinar e nós trabalhamos com muito empenho pra agradá-los. Os brasileiros conseguem nos liderar pois além de nos ensinar com teoria dão o exemplo de como se faz. Eu gosto de pessoas que são exemplo para nós. Considero os brasileiros muito bons profissionais, justos e inteligentes. Com os brasileiros encontramos muitas oportunidades de crescer e de aprender.
A: E sobre os italianos?
K: Na minha religião é pecado criticar as pessoas e por isso prefiro não responder a essa pergunta.
A: O que você deseja para o futuro na empresa?
K: Eu espero que um dia eu tenha uma condição mais segura e mais confortável.
A: E o que deseja na vida?
K: O mais importante pra mim é dar uma boa educação aos meus filhos e que eles um dia tenham orgulho de mim. O mais importante na vida é sempre ter um bom nome e um bom caráter.
A: O que você acha dos políticos nigerianos?
K: Eles só trabalham pensando nos interesses próprios deles. Eu não gosto de política.
A: O que você faz no seu tempo livre?
K: Durmo, leio livros religiosos e brinco com meus filhos.
A: Na sua opinião, qual é o papel dos expatriados na Nigéria?
K: Eles devem nos ensinar para que quando forem embora possamos desenvolver o País. Não adianta um expatriado vir aqui, fazer o trabalho e depois ir embora sem treinar ninguém. É importante também que eles mandem nigerianos a outros países para que ganhemos cultura e experiência.
A: Defina Nigéria em uma frase?
K: Uma grande família com um grande número de desempregados.
A: Qual é o seu nome completo?
K: Kabiru Suleman.
A: Quantos anos você tem?
K: 31 anos.
A: Quantos filhos você tem?
K: 2 filhos e 2 filhas.
A: Há quanto tempo você trabalha na empresa?
K: 2 anos e meio como empregado e 1 ano como contratista.
A: Quantas vezes você foi promovido?
K: Fiquei 1 ano como contratista e depois fui contrato nível 3. Apesar de fazer um bom trabalho, fiquei 2 anos e meio sem promoção. No mês passado, comecei a ganhar um bônus por ser supervisor de projeto, porém ainda espero a promoção que, segundo meu chefe, deve vir no fim do ano.
A: A que horas você acorda todos os dias?
K: Acordo às 4:30h da manhã. O ônibus passa na minha casa às 5:45h e antes disso devo rezar com toda a minha família. Trabalho até às 7h da noite e chego em casa às 8h. Faço isso de segunda a sábado e domingo é meu dia de folga.
A: Qual é sua religião?
K: Islã – Muçulmano
A: Quantas vezes você reza por dia?
K: 5 vezes ao dia.
A: Como é seu relacionamento com os cristãos?
K: Eles são maioria no nosso estado. Temos uma relação amigável e de compreensão. Os problemas de religião ocorrem no norte do país onde existe muito mal entendido e falta de compreensão entre as duas partes.
A: Qual é o seu salário?
K: Eu ganho 45.000 Nairas por mês (são R$ 900).
A: Quanto você gasta de comida com sua família por mês?
K: Entre 30 e 35 mil por mês. Eu ainda alugo a casa e pago escola para meus filhos. Mesmo com o salário da minha mulher, sempre temos que pegar dinheiro no banco para pagar as despesas (pagam 20% por mês de juros).
A: Por que seus filhos estudam em colégio particular ao invés de estudarem no público?
K: A coisa mais importante pra mim é dar uma boa educação aos meus filhos. No colégio particular, as professoras são mais sérias e compreensíveis. Há também a possibilidade de eles estudarem em num colégio islâmico. Quero que meus filhos estudem tanto a cultura do Leste como do Islã, para que saibam definir as coisas boas e ruins da vida. Gasto 27.000 Nairas por filho por ano de colégio.
A: O que a sua mulher faz durante o dia?
K: De manhã ela cuida dos filhos e à tarde trabalha em uma loja.
A: Quem é o chefe da família?
K: Eu sou o chefe da família e sou quem tomo todas as decisões da casa mas é claro que minha mulher pode dar sua opinião, porém sou eu quem sempre tomo as decisões.
A: Você nasceu em Port Harcourt?
K: Não. Minha família é de Edo, que fica a 4 horas de PH. Antes de eu entrar nessa empresa ia lá a cada 3 meses. Agora vou uma vez por ano visitá-los.
A: O que você pensa sobre os brasileiros?
K: Pelo pouco de brasileiros que conheço (André , Frederico e Bethania) eles são o tipo de pessoa que eu quero ter perto de mim pra sempre e com quem eu gosto muito de trabalhar. São pessoas que sabem nos liderar, ensinar e nós trabalhamos com muito empenho pra agradá-los. Os brasileiros conseguem nos liderar pois além de nos ensinar com teoria dão o exemplo de como se faz. Eu gosto de pessoas que são exemplo para nós. Considero os brasileiros muito bons profissionais, justos e inteligentes. Com os brasileiros encontramos muitas oportunidades de crescer e de aprender.
A: E sobre os italianos?
K: Na minha religião é pecado criticar as pessoas e por isso prefiro não responder a essa pergunta.
A: O que você deseja para o futuro na empresa?
K: Eu espero que um dia eu tenha uma condição mais segura e mais confortável.
A: E o que deseja na vida?
K: O mais importante pra mim é dar uma boa educação aos meus filhos e que eles um dia tenham orgulho de mim. O mais importante na vida é sempre ter um bom nome e um bom caráter.
A: O que você acha dos políticos nigerianos?
K: Eles só trabalham pensando nos interesses próprios deles. Eu não gosto de política.
A: O que você faz no seu tempo livre?
K: Durmo, leio livros religiosos e brinco com meus filhos.
A: Na sua opinião, qual é o papel dos expatriados na Nigéria?
K: Eles devem nos ensinar para que quando forem embora possamos desenvolver o País. Não adianta um expatriado vir aqui, fazer o trabalho e depois ir embora sem treinar ninguém. É importante também que eles mandem nigerianos a outros países para que ganhemos cultura e experiência.
A: Defina Nigéria em uma frase?
K: Uma grande família com um grande número de desempregados.

7 Comments:
Kabiru da Silva
Somente vi a entrevista do Kabiru pronta e para mim ela se mostrou especial por confirmar que trabalhadores, operários, de países pobres preponderantemente, só mudam de endereço. Outra mensagem forte foi que pais de família que dedicam a sua vida para propiciar uma melhor aos filhos não são exclusividade nossa. Aproveito a ocasião para homenagear nossos pais, pois seu dia está chegando! Um beijo grande a vocês!
O horário de trabalho normal é esse, ou ele faz muitas horas extras? Pelo visto nível de responsabilidade dos nigerianos na planta é muito baixo, isso tende a mudar? Nas outras multinacionais funciona dessa forma?
GB - Haja coração!! Até agora Nigéria 1 X 1 Itália. E você Casagrande aposta em quem? CS -Apesar do time da bota ser tetra e ter claro favoritismo, não podemos esquecer que o time da casa tem o fator torcida e conhece melhor o campo, o 2º tempo promete. GB - Arnaldo César Coelho!! o árbitro vai ter trabalho, né? ANC - O trio brasileiro tá deixando o jogo correr, e mesmo sendo um amistoso, tivemos algumas entradas duras. Se o juiz não mostrar autoridade, ele vai ter problemas. GB - Bem amigos da rede globo, fiquem agora com o show do intervalo.
Realmente vcs estão lidando com uma cultura diferente, mas não encarem isso como se estivessem em um mundo muito "distante" do nosso.
A simplicidade das respostas de Kabiru têm muito em comum com as respostas de milhares de brasileiros que buscam ao menos uma vida mais digna para si e para sua família. O desemprego é um mal do país dele como do nosso, as doenças atacam os mais pobreslá como aqui, muitos não se interessam por política, como aqui.
Devemos encará-los como diferentes apenas para respeitar sua cultura, mas também devemos tratá-los como iguais a fim de buscarmos soluções para os males do Brasil como para todo o Globo. A final, a ciência comprovou - biologicamente e sociologicamente- que só existe uma raça entre os povos desse planeta: a raça humana.
Continuem com a sensibilidade apurada e felicidades. Marcos
Raul,
Existem alguns Gerentes Nigerianos porem na Socotherm normalmente nao sao muito qualificados e nao tomam muitas decisoes. Os Nigerianos dessa regiao de Port Harcourt nao sao qualificados devido ha uma ma educacao e habitos culturais. Normalmente os Nigerianos do Norte sao mais concentrados e estudiosos e tem melhor educacao. A Shell aqui de Port Harcourt tem todos os Gerentes Nigerianos (ate o Gerente Geral e Nigerriano) porem ha maioria vem do Norte pra morar aqui
Aproveito para homenagear os filhos no dia de hoje..É bom ver sementes que plantamos florescerem da forma mais diversa.
O compromisso com o outro, a luta de uma vida inteira por uma sociedade mais justa aparece nas entrelinhas deste blog!Beijos
Será que esta visão de os ddaqui são mais preguiçosos não tem a ver com um preconceito antigo entre sulistas e nordestinos?
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